É Outono e a luz natural demora-se cada vez menos pelos boulevards. Começa já a espreguiçar-se cedo sobre as casas e suas íngremes mansardas em tons lânguidos de vermelho.
A luz é um ser em simbiose com as coisas. Toca-lhes e elas brilham - é através desta relação que percebemos a existência de ambas. A claridade aqui não fere os olhos, abraça-os com veemência.
Alheia à tumultuosa presença humana, a luminosidade repete a sua carícia dia após dia, num ritual milenar de volúpia.
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